Olho uma Vênus, visível e linda,
a me traduzir beleza
e me ensinar a harmonia.
Dela, a deusa mais bela,
também aprecio os desejos
e o que espero encontrar logo ali,
no sorriso do outro.
Procuro ansiosa, por Júpiter,
que me expande,
subtraindo os limites do céu.
Faço dele a minha sorte,
minha estrela ,
minha fé no otimismo.
E então, de súbito,
me choco com Saturno e seus anéis,
me prendendo ao que resisto,
ao que não quero arrumar,
ao que ainda não sei organizar
no meu interno caos.
E como não me entendo
em tamanha desordem,
confesso a Plutão
meus menores segredos,
o convido a governar meus medos
e quem sabe, ele, em cúmplice,
os transforme
na ousadia do renascimento.
Pego a coragem em Marte,
e determinada,
continuo as buscas ,
tomando fôlego com seu lado guerreiro,
belicoso,
apaixonadamente transmissível.
E então,
em cada buraco da Lua,
há uma emoção latente
um choro, um riso,
uma mágoa, uma alegria.
Me aprendo e me deparo suscetível
e vulnerável,
tentando remendar as brechas...
Me canso, frenética;
e beirando a histeria
convoco Urano:
viro a mesa,
reviro o caos.
Que o imprevisível me transtorne,
que me surpreenda...
quero adrenalina em alta tensão
percorrendo minhas veias.
Me abstraio, solta, leve,
quase em transe,
é Netuno que me visita,
me confundindo
qual um canto de sereia.
Pinto, danço, componho.
E me expresso:
Mercúrio em céu aberto,
colocando meus pingos nos is
da literatura que inventei pra mim.
Inspirada,
me traduzo
e esqueço que nem sempre
o faço na linguagem certa.
Mas insisto: