Os Planetas..

Claudia Letti

O céu chove estrelas, planetas,
que me montam,
e no entendimento deles,
me procuro.
 

Olho uma Vênus, visível e linda,
a me traduzir beleza
e me ensinar a harmonia.
 Dela, a deusa mais bela,
 também aprecio os desejos
 e o que espero encontrar logo ali,
 no sorriso do outro.
 

Procuro ansiosa, por Júpiter,
que me expande,
subtraindo os limites do céu.
Faço dele a minha sorte,
minha estrela ,
minha fé no otimismo.
 

E então, de súbito,
 me choco com Saturno e seus anéis,
 me prendendo ao que resisto,
 ao que não quero arrumar,
 ao que ainda não sei organizar
 no meu interno caos.
 

E como não me entendo
em tamanha desordem,
confesso a Plutão
meus menores segredos,
o convido a governar meus medos
e quem sabe, ele, em cúmplice,
os transforme
na ousadia do renascimento.
 

Pego a coragem em Marte,
 e determinada,
 continuo as buscas ,
 tomando fôlego com seu lado guerreiro,
 belicoso,
 apaixonadamente transmissível.
 

E então,
em cada buraco da Lua,
há uma emoção latente
um choro, um riso,
uma mágoa, uma alegria.
 Me aprendo e me deparo suscetível
 e vulnerável,
 tentando remendar as brechas...
 

Me canso, frenética;
 e beirando a histeria
 convoco Urano:
 viro a mesa,
 reviro o caos.
Que o imprevisível me transtorne,
que me surpreenda...
quero adrenalina em alta tensão
percorrendo minhas veias.
 

Me abstraio, solta, leve,
quase em transe,
é Netuno que me visita,
me confundindo
qual um canto de sereia.
 

 Pinto, danço, componho.
E me expresso:
 Mercúrio em céu aberto,
 colocando meus pingos nos is
 da literatura que inventei pra mim.
Inspirada,
 me traduzo
 e esqueço que nem sempre
 o faço na linguagem certa.

Mas insisto:

 minha fonte é sempre única,
 minha constelação sempre brilha.
O Sol, fogo e calor,
 me coloca em movimento.

 

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